Cidade colorida
Hoje eu me reencontrei. No ônibus em direção à zona norte, me pego, como sempre, pensando na vida. Quando estou num desses momentos, bem absorta em pensamentos, é raro que algo consiga me tirar a concentração - mas hoje algo o fez: O beijo estalado entre meus dois amigos gays, sentados nos bancos à minha frente. Dei um risinho meio de lado, percebendo o meu susto por não ser algo que vejo todo dia, mas ao mesmo tempo desfrutando da cumplicidade tão visível entre os dois naquele momento. Paro, então, de pensar na vida, e passo a reparar na cidade. Olho à minha direita, pela janela, e vejo um menino e uma menina, ambos um tanto novos, andando abraçados pela rua. Ah, como eu queria um amorzinho assim... Amorzinho, porque amor amor, isso nem sei mais se existe - e, se existir, não sei se valeria a pena. Amor amor parece doer demais. Prefiro amor desse jeito - entre piadas, risos e beijinhos. Adoro amor de amigos. Aquele que você vê que, no dia em que findar, ainda haverá amizade pra contar história. Me amarro num relacionamento saudável assim. Avisto então mais um casal, mas esse agora era formado por duas garotas. Ambas andavam de mãos dadas, gesticulando com as outras mãos, como se estivessem compartilhando altas fofocas sobre a vida alheia. Achei aquela cena sensacional, pois, se não fosse pelas mãos dadas, qualquer um diria que eram apenas duas boas amigas. Até que, como se já não fosse o suficiente, vi mais um casal abraçado, agora formado por um homem alto e negro e por uma mulher baixinha e loira, parecia até alemã. Chocolate branco com chocolate preto, arroz e feijão. Os dois faziam uma graça de par, com as feições tão diferentes, mas com os sorrisos tão iguais. Meu coração então se encheu de... ah, emoção é difícil de pôr em palavras. Acho até que deveria ser contraindicado fazê-lo, por nunca fazerem jus ao que se é sentido. Só posso dizer que o mundo voltou a fazer sentido. Cada sorriso parecia ter sido recortado de uma foto das infâncias de cada um e colado em seus rostos. Gente apaixonada é um troço estranho, né? É tão bonito de se ver. Tão inocente, tão simples e ingênuo. E o mais lindo é que todo mundo tem direito a tal. Porque todo mundo é igual. Porque é tudo amor, e amor colore. E se colore, não há preconceito que possa torná-lo preto e branco. Porque borracha só apaga grafite. Lápis-de-cor é outra história.
Adorei o texto! Do começo ao fim, perfeito. E no fim essa brincadeira que deixou um toque de saudade da leitura... Quero mais, quero mais! :)
ResponderExcluirParabéns Jade!
"Porque borracha só apaga grafite. Lápis-de-cor é outra história."
ResponderExcluirFODA
Borracha não apaga lápis-de-cor, eu já tentei hehe
ResponderExcluirGostei muito, jadinha, me lembra que a gente tem que se re-apaixonar constantemente pela pessoa que a gente escolhe, por mais difícil que pareça!
final iradis
ResponderExcluirNossa, que lindo Jade! Quase não entro no grupo e eis que vejo essa publicação (mega antiga) da Mirna e me encantei!
ResponderExcluirO amor é lindo mesmo, nas suas diferentes formas consegue ficar ainda mais perfeito!
Achei sensacional essa sua passagem: "Meu coração então se encheu de... ah, emoção é difícil de pôr em palavras. Acho até que deveria ser contraindicado fazê-lo, por nunca fazerem jus ao que se é sentido. "
A emoção só existe naquele instante, depois que passa o momento é impossível reproduzi-la com a mesma veracidade!