Ímpar, par

23 de janeiro, já passa da meia-noite. Cinco dias para três meses. Sempre simpatizei com o número 53 pelo fato de ser ímpar. Na verdade, nunca entendi muito bem minha preferência por números ímpares. Sempre gostei do outro, do segundo, da companhia, da interação a dois. 
23 de janeiro. Também é ímpar. 2015, ano também ímpar.
É engraçado como a vida às vezes é tão misteriosa. Por que descubro mais sobre mim acompanhada do que só? 
25 de agosto de 2014 era dia ímpar, apesar do ano. Fazia tempo que não saía de casa tão bem, feliz, satisfeita. Fui me encontrar com amigos em um lugar em que só havia estado uma vez, mas com o qual havia simpatizado de primeira. Não bebi muito - não precisei - mas dancei forró com estranhos a noite toda. Sempre gostei muito de conhecer pessoas novas, perguntar seus nomes, o que fazem, de onde vêm, por que vieram. Não posso dizer que foi um dia normal, pois foi neste dia que eu percebi que uma fase terrível da minha vida havia chegado ao fim. Como? Eu não tinha a menor ideia. O tempo passa, as coisas vão acontecendo - muitas vezes numa velocidade incapaz de ser percebida a olho nu - e, quando você menos se dá conta, não há mais dor, e a vontade de viver retornou sem nem mesmo ter batido na porta.
Acho que os melhores acontecimentos da vida só vêm quando estamos bem. Energia boa atrai energia boa. As coisas podem estar problemáticas pro nosso lado, mas se o espírito tá bom, tá livre, coisas boas acontecem. 
No mesmo dia em que senti o fim de uma fase, senti o início de outra. E essa divisão foi incrivelmente clara pra mim. 
Dia 25 de agosto de 2014, na verdade 26, já eram duas (ou três? quatro?) da manhã. Dia par.
Eu poderia não ter ido encontrar meus amigos nesse dia. 
Ele poderia não ter ido àquele lugar.
Nós poderíamos ainda estar nos nossos relacionamentos problemáticos anteriores.
Mas ambos estávamos ali. Livres.
Acho que momentos assim valem quantas fases ruins forem. Valem a pena.
Me virando do avesso, me lembrando do que eu quis ser, ter, viver. Me fazendo esquecer do que eu não quero ser e fui.
Era do ímpar que eu gostava. Mas a felicidade eu encontrei em dias pares.
Com você.

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