Azul
Não entendo quando você diz que sonha com um amor pra vida, em morrer nos braços da pessoa com quem você compartilhou seus melhores momentos e ao redor daqueles que, sem a união de vocês, não existiriam, mas se assusta com qualquer tipo de sentimento exposto. Com qualquer tipo de consistência mais bem definida. Eu não ligo pro seu passado e me enfio num túnel sem fim na minha mente quando você abre a boca pra me contar sobre ele. Meu bem, eu não quero ouvir. Você por si só já é resultado do que foi, não precisa me contar como se tornou o que é hoje e que tanto me agrada, me atrai, me muda. Então não pense que vai repetir o que já foi - e que eu não quero saber! -, só vive o novo comigo. É comigo, é hoje, é futuro, é presente, então é novo. Seu medo por repetições de acontecimentos anteriores me dá medo. Você inteiro me dá medo. O que eu sinto por você me dá medo. O que a gente sente um pelo outro me dá medo. A minha vida me assusta todos os dias, eu me assusto até comigo mesma quando acordo de madrugada com o coração na garganta e você na cabeça. Se você não quiser que continue assim, me avisa. Eu quero saber. Eu sempre quero saber de tudo o que me cabe. Gosto da sensação de domínio sobre as minhas próprias ações. As sensações eu já não consigo dominar, nem a você - nem quero. Olha, eu só sei pontuar e pontuar, como se não houvesse outros tipos de pontuação, ou como se eu quisesse deixar claro que a todo momento tudo acaba e recomeça. É. Acho que eu quero isso. Assim como insisto no uso do verbo "querer". Talvez por não saber exatamente o que quero, e então quero tudo. De repente eu só quero. Preciso mesmo de um objeto direto? Não. A minha sintaxe eu também domino. Tiro os olhos do papel, olho pra janela e respiro fundo. O céu está azul, sua cor favorita. Assim como as unhas da mão que escrevo, as quais pintei pra te agradar. E por quê, se não sei nem o que você sente por mim? Você não consegue me dizer! Diz, não diz, desdiz, diz de novo. Será que me atraí por sua indecisão? Somos tão diferentes, mas essa incapacidade latente de definir quase tudo é muito eu. Interessante sermos tão idênticos ao menos em alguma coisa. Engraçado que, quanto mais escrevo, mais consigo respirar. Aí paro e penso olhando pro azul de novo... e sufoco novamente. Por fim, chego à conclusão de que eu também tenho medo de repetir o passado. E então te entendo. Mas só entendo. Porque eu ainda quero ficar com você.
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