Imutáveis

"Só peço uma segunda chance" - disse João, quando Renata desabafou quão sozinha estava se sentindo, quão ausente João estava naquelas duas últimas semanas. Terminar era, por um lado, tudo o que Renata queria. Não haveria mais lágrimas caindo depois de cada telefonema, tampouco depois de um dia sem sequer contactá-lo. Não mais abdicaria de sua vida para ficar em casa lamentando pela falta de atenção de seu namorado para com ela. Mas e depois, o que aconteceria? Sem João, talvez sem vida. Nada fazia Renata mais completa que a presença dele. Ela sabia em todo o seu ser que nada a faria, naquele momento, terminar o namoro. Afinal, por que terminar se o sentimento permanece vivo? Para ela, terminar um relacionamento só havia sentido se a chama do amor de um dos dois amantes se apagasse. Mas ela o amava, e tinha certeza de que era recíproco, visto que João implorava por uma segunda chance. Sem muitas delongas, disse que o proporcionaria essa outra chance de fazer dar certo, tendo absoluta certeza de sua decisão. Sabia que não se arrependeria, por mais que também soubesse que aquela segunda chance acarretaria no pedido de uma terceira, uma quarta, uma quinta, e por aí iria. Renata não se iludia; só estava ciente de que, não importa o quanto peçamos e imploremos, eles nunca mudam.

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