"Não ponha o carro na frente dos bois"

E sugeriste que fôssemos sem pressa, no ritmo da correnteza que ao nosso lado tomava rumo. "Pressa nunca combinou comigo" - pensei comigo mesma, mas entre mim e uma outra pessoa talvez fosse o que sempre acontecia, mesmo sem eu saber. O ritmo simplesmente fluía, como uma orquestra que se empolga com a música a tocar e deixa de prestar atenção no maestro que a comanda. Vai tudo muito além do nosso próprio conhecimento, de forma que quando nos damos conta, a paixão já habita entre um e outro, formando uma liga indestrutível. Sempre levei minha vida com calma, meu bem, mas quando o assunto se refere não só a mim, mas também àquele que me traz felicidade, sigo na maior velocidade que a vida permitir. Esqueço de mim e, de fato, vou conforme a correnteza leva. Mas a minha é movida a emoções, não ao tempo que os humanos inventaram e ao qual tanto se restringem. Eu nunca soube esperar... Mas por nós, eu aprendo, paro, sento e então espero. Afinal, a essa altura do campeonato, não tenho muitas escolhas, ou tenho? É como se estivesses em um Adagio, vagaroso e patético, ao passo que eu já encontro-me muito à frente, rápida e viva em um Vivace. Só me resta retardar meu andamento e ir em teu ritmo. Detesto parecer apressada; quero, sim, viver cada momento. Só não quero perder tempo.

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